
Estou silencioso, porém não numa quietude pacífica ou contempladora, estou no silêncio duma tristeza perturbadora. São tantas as viagens que deixo de fazer em função duma realidade que beira o insuportável, são tantos os prazeres que deixo de lado para me impregnar numa massa de ondas magnéticas, que meu corpo é integralmente consumido por tudo isso.
Penso no futuro, que isso será bom para o futuro, mas não sei exatamente que futuro é esse. Não gosto de viver pensando que amanhã estará tudo bem se hoje é amanhã e nesse atual presente não há nada que faça minha cabeça. Serei um covarde ou estou sendo corajoso em enfrentar isso? São tarefas, requisições, problemas, uma demanda insuportável que faz eu me calar, estar contido, não extravasar minhas loucuras através da arte – sendo artista ou arteiro.
Não vejo mais a tarde passar, a beleza da paisagem. Passo pelo mundo sem deixar rastro. Sigo o fluxo da cidade, me desloco de um ponto a outro e não tenho tempo para os prazeres. Para parar. Trafego como a luz e me sinto como um pulso, um sinal elétrico, ponto perdido na imensidão. Meus textos, meus acordes, meus sonhos e desejos, eu. Onde eu estou nesse meio?
Agora, segundo Leminsky. (Esse poema é do livro "la vie en close").
vazio agudo
ando meio
cheio de tudo
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 12h43
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Her name was McGill, and she called herself Lil,
But everyone knew her as Nancy.
(Lennon/ Mccartney - Rockie Raccoon)
Não sei se é um exagero, mas sempre enxergo algo de genial nisso:Uma das coisas mais brilhantes que uma banda já escreveu. Dois versos. A letra inteira é perfeita, mas esse trecho é absurdamente f o d a.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 00h54
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