Corredores infinitos
As páginas do caderno já quase acabaram. As canetas já são outras. A lua já está cheia. Os corredores
da universidade estão repletos de pessoas que não me dizem nada. São músicos amadores ou profissionais,
são atores, são modelos, são surfistas, são sonhadores, são escritores, são políticos. As pessoas se cruzam
fisicamente e não cruzam suas essências. Muitos nem se cruzam.
São pintores, são dançarinos, são ricos, são pobres, são hackers, são crianças, são adultos engravatados,
são futuros empresários. Todos se concentram em salas, rampas, refeitórios, pátios. Todos se dispersam pelo
bairro de Perdizes como que perdidos uns dos outros, andando para se encontrar.
São Paulo, cidade de anônimos, cidade de artistas, cidade de solitários. Cada um se fecha na sua própria vida,
criam-se universos paralelos. Fecham-se em carros e em apartamentos, fecham-se em quartos. Fecham-se e
acendem muitos cigarros, como se a poluição atmosférica já não bastasse.
Urbanos, ou não, andam pela mesma rua, sem se encontrar. Respiro tanta vida nessa cidade, sinto tantas presenças
onipresentes passantes, que apenas me submito ao poder e à violência da metrópole e de seus corredores infinitos.
Bartira Bejano
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Bom, esse texto é da Bá. Demorei pra ler. Como sempre, tava sem tempo. Puta texto. Nem perguntei pra ela se
estou autorizado a publicá-lo. Talvez seja estupidez, mas deixa pra lá... quando eu a encontrar, descubro. E se ela
não autorizar eu tiro ele daqui. Por enquanto, desfrutem. Acho que lá pelo meu segundo, terceiro ano de facul. sempre
quis escrever algo assim. Nunca encontrei essas palavras. Ainda bem que alguém pôde.

Escrito por Bruno F. Goldgrub às 15h28
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