Tenho um pouco de raiva nesse fim de ano. Estou esgotado, precisando de paz. Paz fora daqui, paz do tipo
“aroma do campo” (mesmo que haja alguma bosta de vaca nesse meio) ou “céu estrelado de praia”. Um pouco
de conversa jogada fora, sonhos se esvaindo. Música, sim, violão. E uma mulher, sua boca, seus seios, transas
do outro mundo.
Pois então, meu amor, estou falando contigo, bem íntimo: o rosto colado na orelha, o tronco roçando teu corpo
e as mãos lhe deslizando a cintura. Plena paz essa, teu corpo é meu lar e amo-o sagradamente. De vez em quando,
profano: lhe toco e lhe desejo e lhe possuo e lhe quero como ninguém quer, assim como quero que você me queira.
(e ninguém mais). Concordas em assinar um termo afirmando – “nos possuímos como amantes e pedimos que ninguém
interfira nesse jogo de ser e ter” - ?
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Sim, queria que a ilusão desse momento tão breve fosse eternamente plena, assim transaríamos por horas e horas em
função dum simples ver-se, talvez um gesto ou aceno. E teu cheiro me ficaria encarnado por dias e dias, e eu dormiria
pensando em ti e acordaria em seus braços, ou no meio de suas pernas. (Pois Amor, não duvide de minhas qualidades
como amante. Posso te possuir por horas a fio sem que você note as paradas pro intervalo de tão prazeroso que
serei. O melhor amante do mundo, como nos filmes de Almodovar ou na grafia sedutora dum poeta sacana.
Satisfarei-te com um prazer impar, afirmo rijo). Mas e você, o que fará por mim?
Não duvido de seus ímpetos, ainda mais quando te ponho curiosa. Você quer me devorar, não é? Mas não pode.
Nenhuma moça bonita como você conseguiu roubar por completo meu desejo. Ele se parte em muitos e segue para meus
olhos que se distraem torcendo o pescoço a cada moça que passa e me desperta pelo perfume e graça. Enfim, elas
passeiam com meus olhos que procuram em tantas algo que eu só encontro mesmo quando passeio desse jeito, ou quando
você está em cima de mim e lhe aperto e beijo os seios, só seus, mamando nas agraciadas tetas Divinas. Sim, nessas horas
eu adentro o paraíso e lá estou Deus tão presente quanto me posso fazer. Deus. De vez em quando um presunçoso
safado, fã se sacanagem barata, dessa como nós fazemos sem que ninguém veja, mas queremos que saibam... Nós dois
entre quatro paredes... Que saibam que é tão bom que só o exagero lhes pode despertar a suficiente curiosidade pra
experimentar algo assim: devorar o mundo e seus inesgotáveis prazeres.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 19h30
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