Curtos versos subversivos (idas e vindas - repartições).
Carece a ordem nesse universo de
p s
a e
l n
a t
v i
r m
a e
n (t o d o)
s
que caem desordenadamente pela tortuosa colheita matutina e tornam-se laranjas,
depois poupa: poupa, suco; suco, sangue.
Venta lá fora, chove lá fora, sopros e alfinetes agonizam o corpo:
glóbulos vermelhos, células, organismo invisível; superfície ebulindo, desejos esvaindo, vazio procurando abrigo.
Na úmida entranha encosta uma língua ansiosa. No rosado dos seios, as mãos ofegantes. Nas noites, êxtase.
Na manhã seguinte, e tarde próxima, mas em todas as noites, encontra e desfaz-se de tudo, a próxima colheita.
Enquanto as rendeiras tecem os retalhos, estica o braço, pega o chapéu e o capote e sai pra chuva, a colher gravetos.
Talvez essa chuva não passe e mais e mais alfinetes o aflijam; talvez os gravetos não queimem e a ânsia de vê-la o
abandone novamente;
Enquanto isso se misturam na cama dois amantes fervorosos; rolam debaixo dos lençóis apalpando-se agachados num
mar de fervura; amam-se e se odeiam com tamanha intensidade, se esfregam e acariciam, se querem e se repelem, se
batem fazendo juras de amor, se confundem fundem fodem em – unidade e partição.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 13h36
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