
Sabe, cansei de analisar. Lembra que eu disse que não queria te ver nem mais pintada...? Pois é, pintei você.
Ajoelhada, de costas, semi-nua olhando pro mar, uma luz linda.
E já que você é a número dois, seja sempre inspiração. Olhos, boca, longos cabelos negros: toco, sinto e quero
você como amante. A número um. Que vai e vem sempre, como e quando quiser, tem lugar garantido. Realmente,
definições não valem merda alguma, o que vale é viver.
O quadro de amantes mais bonito que existe é o do Klimt. Sabe os dois enrolados numa manta amarela-ouro colorida,
agachados, ardentes?
Hoje tive vontade de usar as mãos pra desenhar seu corpo. Gosto de tê-la na ponta dos dedos, bricando com
as formas e delineando seu corpo como se fosse de argila... seios, rosto, pernas, líquidos... Passeando com as
mãos pelos cantos mais íntimos, sentindo e desenhando.
Peguei o pincel e o guache que já estava seco, coloquei um pouco d´água e comecei a brincar. Larguei o pincel, molhei
a ponta dos dedos e deixei que eles, melados, tocassem o papel. Fui pintando, pintando, deslizando as mãos no papel.
E a imaginação passeava pela música que eu ouvia, pela foto da menina, por seus pés e pêlos, por você, (pel)a tinta que
escorria... O desenho se formava, belo, estranho: a música, as notas-gotas-de- tinta, tudo conversando. Foi rápido e
intenso, assim aconteceu; de repente o desenho ficou pronto.
...Ele está secando em cima das frutas e não se parece com você, com Klimt e nem com o carnaval.... ele está lá: você,
minhas mãos e tanta coisa que não sei. Tudo virou cor e forma nas pontas dos dedos.
(Não sei se gostei do desenho, acho que prefiro o percurso que me trouxe até aqui).
(?)
Será que eu desisto de não de gostar de você...?
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 13h47
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