Essa história é bacana. Talvez pareça um pouco grande prum blog, mas passa rápido.

                                    



Escrito por Bruno F. Goldgrub às 00h24
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  Sai do trampo e fui pro shopping com ímpetos consumistas... fim de ano, alguma grana no bolso e uma puta vontade

  de comprar aquele agasalho que namoro há um bom tempo.

 

  Dei um volta olhando pras vitrines e pra cara das pessoas, desci a escada rolante e fui pra loja olhar os tênis, camisetas

  e ele, meu agasalho: lá está, legal como   sempre. Era mesmo paixão, mas eu ainda precisava pensar mais um pouco,

  quem sabe ser racional; se entrasse lá sabia que não tinha mais volta, daria adeus a minha curta e preciosa conta.

 

  Pra me livrar do calor e do impulso decidi tomar um milk shake de Ovo Maltine: fui tomando, tomando, tomando

  enquanto pensava naquele agasalho, na minha conta, na vontade de não precisar me preocupar com grana, em ganhar

   na Sena, em resolver os problemas do mundo e – sshhhuurrrrpp – já era o milk shake. Ora da decisão.

 

  Ta bom, sem dúvida todos meus problemas se resolveriam na hora em que eu vestisse aquele agasalho, era dele que

  eu precisava.

 

  Andei uns metros, entrei na loja e mal abri os olhos lá dentro quando (pra minha alegria?) bem da frente do agasalho

  sai uma menina linda pra me atender. Não podia ser pior... eu já estava lá e ela, justo a menina mais bonita da loja veio

  me atender... talvez se fosse um cueca babaca, desses estereótipos de loja bacana, eu ficasse de saco cheio e desistisse

  da compra, mas aqueles olhos de amêndoa podiam simplesmente me falir com duas palavras – compra ?

 

  Ela pegou o agasalho e me levou ao provador com um espelho gigante e cheio de luz... Então o tirei do cabide, coloquei-o

  por cima da blusa e por algum tempo delirei pateticamente me sentindo Narciso... Durou uns 

  t   r   i   n   t   a    s   e   g    u    n    d    o    s.

  Como eu já esperava, o preço era inversamente proporcional ao quesito cool do agasalho. Eu, o agasalho e a menina,

  a conta zerada, o que fazer? Já pensando em vazar a menina pega algumas camisetas e me convida a provar... claro,

  como resistir a ela? (não ria amigo, você faria a mesma coisa) Provo algumas até me decidir:



Escrito por Bruno F. Goldgrub às 23h51
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  - O agasalho e mais essa camiseta.

 

  - Legal, você – (cut)

 

  - Gatinha, não me vem com tênis, só se for de presente. Cê me dá J ? (A frase soa sem ambigüidades, por favor).

 

  Não foi o caso.

 

  Passo o cartão e saio da loja feliz.

 

  Ando mais um pouco e percebo que está faltando alguma coisa. É claro, o cupon fiscal pra eu comprar aquele relógio

  legal da promoção (quer dizer, isso a cada trocentos de gastos). Volto pra loja e uma das vendedoras diz que a loira linda

  está correndo atrás de mim. Não entendo. Feliz, também vou atrás achando que talvez ela não tenha resistido a eu e meu

  agasalho e queira nos roubar um beijo e tal. Nos encontramos perto da escada. Ela sorri. Eu também. Encaro seus olhos

  de amêndoa, ela me olha, o clima esquenta, e então. Então. Ela trás a mão pra frente e diz:

 

  – “Ah! Você esqueceu seu cartão, né?”.

  - (...glup)

  - “Aqui ó” (mostrando as mãos).

  -(...) ahhhh... meu... meu cartão...meu cartão?... meu cartão. É. Meu cartão.

 

  Ela ri, eu retomo a compostura e digo que estava atrás dela pelo cupon fiscal e etc...

  Voltamos pra loja, pego o cartão e vou me despedir agradecendo, me sentindo meio besta e, sei lá, estranho, até que ela

  puxa um papelzinho e uma caneta do bolso e me pede pra esperar:

 

  -“Oh, esse é meu telefone, qualquer coisa que você precisar... ou quiser, me liga”. Ela pisca, abre aquele sorriso lindo,

  e diz - “tchau”- a menina dos pequenos olhos de amêndoas.

 

  Ok. Ganhei meu dia. Eu e meu agasalho.

 

  Agora... será que eu ligo?

 

  (lá do fundo, sobe a memória, sussurrando, é como se nunca tivesse existido...).

 

  Será?

 

  ps: moral da história do filho dos psiconalistas –

 

  Mais vale esquecer um cartão vazio na loja do que sair de mãos abanando.

 

  Versão haikai:

 

  Cartão vazio.

  (des)(ordem)

  Olhos cheios.

 



Escrito por Bruno F. Goldgrub às 23h44
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  Sabe, cansei de analisar. Lembra que eu disse que não queria te ver nem mais pintada...? Pois é, pintei você.

  Ajoelhada, de costas, semi-nua olhando pro mar, uma luz linda.

 

  E já que você é a número dois, seja sempre inspiração. Olhos, boca, longos cabelos negros: toco, sinto e quero

  você como amante. A número um. Que vai e vem sempre, como e quando quiser, tem lugar garantido. Realmente,

  definições não valem merda alguma, o que vale é viver.

 

  O quadro de amantes mais bonito que existe é o do Klimt. Sabe os dois enrolados numa manta amarela-ouro colorida,

  agachados, ardentes?

 

  Hoje tive vontade de usar as mãos pra desenhar seu corpo. Gosto de tê-la na ponta dos dedos, bricando com

  as formas e delineando seu corpo como se fosse de argila... seios, rosto, pernas, líquidos... Passeando com as

  mãos pelos cantos mais íntimos, sentindo e desenhando.

 

  Peguei o pincel e o guache que já estava seco, coloquei um pouco d´água e comecei a brincar. Larguei o pincel, molhei

  a ponta dos dedos e deixei que eles, melados, tocassem o papel. Fui pintando, pintando, deslizando as mãos no papel.

  E a imaginação passeava pela música que eu ouvia, pela foto da menina, por seus pés e pêlos, por você, (pel)a tinta que

  escorria... O desenho se formava, belo, estranho: a música, as notas-gotas-de- tinta, tudo conversando. Foi rápido e

  intenso, assim aconteceu; de repente o desenho ficou pronto.

 

  ...Ele está secando em cima das frutas e não se parece com você, com Klimt  e nem com o carnaval.... ele está lá: você,

  minhas mãos e tanta coisa que não sei. Tudo virou cor e forma nas pontas dos dedos.

 

  (Não sei se gostei do desenho, acho que prefiro o percurso que me trouxe até aqui).

 

  (?)

 

  Será que eu desisto de não de gostar de você...?  

   



Escrito por Bruno F. Goldgrub às 13h47
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