Buenos Aires.
No apartamento vazio
Imagino uma rede balançando
Aqui de cima vejo a avenida
Lá de baixo a vizinhança ouve o colchão bater na parede
Eu estou em Gabriela, ela em mim
Nem imaginávamos acabar ali
Sobremesa, nós dois sobre a a(v)en(ida)
Tintas coloridas borram a paisagem, fotografia, movi-mento
Ainda é meio da tarde mas preciso ir ...
E dirigindo pelas ruas mais bonitas da cidade eu sinto seu cheiro,
toco em seu rosto, ela me abraça:
deixo-a a dois quarteirões de casa
Nos devoramos por algumas horas
transando num colchão no meio da sala
de um apartamento vazio
Venta, a rede balança, o trânsito lá embaixo buzina
Venta, eu penso em Gabriela
a s s o p r o
o vento leva tudo embora
Gabriela e eu estaremos aqui para sempre.
---
Ela me perguntou o que achei dela ligar tarde da noite,
nesse momento o telefone tocou, eu não respondi:
- Gabriela, pensei em deitar com você num colchão no meio da sala dum
apartamento vazio vendo a avenida lá de cima. Desde o primeiro segundo.
Te comer Gabriela.
Obrigado, foi muito bom.
(agora venta novamente e eu lembro de ti falando espanhol Buenos Aires e
penso em Madri. Nos cavalos, em ti.)
Hasta luego.
Gabi.

Escrito por Bruno F. Goldgrub às 23h51
[]
[envie esta mensagem]
|