Era uma vez um cara qualquer num universo de mais de um bilhão. Um cara simples, que se diferenciava de
outros por gostar de música, cinema, mulheres e pizza (o que reduz esse universo de bilhões pra algumas centenas
de milhões). Um dia ele topou com uma menina e pouco a pouco foi se afeiçoando a ela sem perceber, quando se
deu conta já estava pensando nela depois dumas conversas no telefone. Assim não tardou pra ele ir se apaixonando
pela namorada de um amigo que gostava bastante, o que o deixou assustado e fez com que tentasse esconder
tais sentimentos – dele, dela e do amigo - o que convenhamos, é a primeira reação que se tem e fracasso certo. Pois
bem, agora os muitos milhões que poderiam ser o protagonista da história reduziram-se a poucos mil, uma dezena de milhares,
chuto. Sim, triste com a situação, mas feliz por ter certeza que atração era mútua, beijou a menina numa festa (foi um beijo
muito bom, assim como a noite que se seguiu e entrou pro hall de “noites perfeitas- pt1”). Adiante, é preciso dizer que o
problema cresceu com o nascer do dia e rapidamente tomou proporções descomunais com as frustradas tentativas de
explicar ao amigo o acontecido e ao mesmo tempo conciliar a união com a menina amenizando a dor em doses
homeopáticas. No fim não deu certo nem uma coisa, nem outra, o que não significa que a história acabou. Naquele
período e por volta de um mês ele e a menina viveram dias inesquecíveis até uma viagem acabar com a situação.
O avião partiu e a situação mal-resolvida ficou.
Passados alguns meses o avião voltou e aquele pequeno fantasma foi novamente dando as caras, tomando forma,
crescendo devargarzinho até que se tornou um grande monstro e não deixava de incomodá-los. Foram inúmeras
cartas e alguns telefonemas até o inevitável encontro (isso graças ao tamanho esforço do notável simples garoto
que curte umas coisas que o diferenciam do grupo do bilhão o tornando até certo grau
especial + seu grau de persuasão. Porque esse encontro foi muuuuito muito adiado!). Bom, um sorvete, diálogos
curtos, caras e bocas, um beijo e uma das melhores noites que se tem notícia dias depois, explicando assim pra
vocês brevemente terem uma idéia do todo. Quanto a história, não sei se acabou e to pouco preocupado em
responder isso, é só mais uma história, espécie de fábula contemporânea (ainda sem ponto final) que aconteceu
de verdade. É claro que houve outros fatos (uns graves talvez, outros amenos quem sabe), mas o que importa é
que num mundo muito entupido de gente e histórias genéricas, essa é a história singular que tenho pra contar.
Querem ouvir outra?

(fotos Michael Wesely)
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 21h57
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