Somente um cara entediado pode se dar o luxo de sentar em frente ao computador numa tarde dourada
pelo Sol e despender algumas horas escrevendo textos poluídos e sem esperança. Dispensando a visibilidade
pretendida com um blog, essas notas são (ou foram) uma forma de exorcizar fantasmas, espantar a solidão e o
silêncio e expressar minhas (in)dispensáveis impressões (bela construção, Fernandinho). Ou seja, essa pataquada
não passa propriamente de uma espécie de cura ressaca (ou busca pela felicidade).
Amiguinhos invisíveis, estou de saco cheio de escrever sobre isso aqui... Já não bastava o desfecho anti-natural de
meu roteiro para Janeiro agora essas pílulas urbanas estão se tornando um remédio amargo. Comecei o projeto por
causa do ano correria-horroroso-explendido e agora me pego em momentos extremamente piegas e nonsense falando
sobre o que não deveria falar (seria falta de assunto?). Pois bem, graças a todos os céus (e os óvnis), 2004 acabou e
meu saco também; sinto-me extremamente impaciente, ansioso e feliz com as possibilidades de 2005 e a volta de meu velho
espírito expansivo pelo qual bravamente lutei para continuar vivo em meio as tempestades. Quero novas mulheres, novas línguas,
novos ares, novas aquisições no meu escritório de empreendimentos (im)possíveis, novas trips e trepadas; desejo que a vida se
torne uma aventura sem pé nem cabeça pra eu ter histórias pra contar ao invés de recorrer a recursos fajutos pra retratar minha
eta vida besta ordenhando leite em tetas de pedra como no ano passado.
(Será isso um delírio infantil?).
No ultimo mês me apaixonei por uma menina extremamente talentosa, egóica e desfacelada. Sim, meu amor é desfacelado
e coloca em cheque os quereres... (será essa a causa de estar assim com cara de tonto e voz baixinha?).
Pois bem, me perco por suas fotos de cabelos curtos alaranjados e olhos castanhos sem esperar correspondência...
(...) nessas trilhas tende-se a pisar em pedregulhos e machucar o pé, abrir pequenas feridas. Então com o tempo
essas fendas abertas vão secando, secando e nunca cicatrizam direito (mesmo colocando babosa!). É só passar o
mindinho sobre a sola do pé machucada pra sentir aquela espécie de cócega angustiante e a ardência (estranhamente)
prazerosa. Aí, seguindo recomendações médicas, é só assoprar o dodói, guti guti, que passa... e esperar um pouco que
seca... até que no fim essa coceguinha prazerosa faça as antigas desgraças virarem um sorriso num passe de mágica. (...)
... mas tão somente que ela torne meu ano passado, passado de uma vez por todas. Bye 2004.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 21h30
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