Viver custa caro. Nada que você não saiba...
Me recomendaram o Rudney e liguei rápido, oi Rudney, é o filho do Franklin e preciso de uma mão
aqui com o computador, tô com pressa porque tenho umas coisas pra editar etcétera. Era mentira
esse lance de edição, mas fez com que ele chegasse rápido. Expliquei tudo que eu já tinha feito,
tirado os antigos pentes de memória DDR 266 e colocado dois pentes de 512 DDR 400, tirado um
leitor de cd e colocado um gravador de DVD, reconfigurado os jumpers e até trocado a fonte achando
que ela era a causa dos problemas, pois as memória funcionavam individualmente, enfim, nada que
acrescente ao texto e a você, mas era que o Rudney precisava saber, assim queimaria etapas inúteis
na tentativa de resolver meu problema. O Rudney ouviu tudo, me olhou com certo espanto, perguntou
algumas coisas e depois foi pra trás do computador: mexeu nos jumpers, entrou no setup e falou
(com um sotaque meio caipira) “é o Windows cara, cerrteza!”.
Conversamos sobre Linux, computadores e achei o Rudney um cara legal, ele me perguntou se eu
tocava guitarra e foi uma pergunta besta porque ele fez isso quase pegando a minha guitarra – faço
questão de mencionar que ele gostou dela, pois todos meus amigos a acham feia, vão se fuder, é arte
– e achei melhor quando ele perguntou que tipo de música eu tocava, foi mais decente e então voltamos
a resolução do problema. Tudo culpa do Windows... Essa conversa, entre o aperto de mão e a minhas
mãos assinando o cheque, não durou mais que dez minutos. Eu, contente, certo da não cobrança da
consultoria me achei muito legal pensando o quanto o Rudney ficaria agradecido ao receber trinta paus
por nada (três palavras, digo). Só pra não ser mal-educado perguntei quanto é Rudney e certo de seu
silêncio eu já estava em vias de assinar trinta paus, mas o Rudney disse, sem graça, que a visita era
cinqüenta.
Uh. Que pontada.
Ah, cinqüenta.
Assinei o cheque quase (porque quase?) a contragosto e o Rudney foi embora... Ontem mesmo, depois
que consertaram a tva, porque tudo pifa ao mesmo tempo?, assisti o filme do Picasso e da amante que
o chutou e me lembrei dos cinquenta paus. Claro, pelos desenhos da minha guitarra e por ter sido o
pintor catalão que disse pra um merchant que custava uns, sei lá, U$100.000,00 (hoje seriam Euros e
o Picasso seria ainda mais rico) o desenho que ele fez em cinco minutos e ele disse que não era pelo
tempo que tinha levado pra pintar, mas pelo tempo que havia gastado até chegar a esses cinco minutos,
pensei nas três palavras do Rudney e elas me economizaram um bocado de tempo e saco.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 18h59
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