Escrito por Bruno F. Goldgrub às 16h17
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  Nota de ultima hora... o autor da ultima novela da Globo,

  nem sei o nome dele – olha como eu o desprezo – disse

  que foi reler Cem anos de solidão e achou o livro ultrapassado.

  Brilhante. É por isso que adoro novelas... e mais

  ainda, os autores de novelas. Well.

 

  Abaixo, fiquem com o grande Goeldi pra salvar a alma

  do comentário do infeliz...

 

  ps: eu quero mudar esse lixo de template faz tempo, mas

  preciso de ajuda!

 

 



Escrito por Bruno F. Goldgrub às 21h33
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  Acho bom vcs lerem, porque garanto que os preciosos minutos que vcs perderão (ou ganharão, porque o 

 autor tá se achando, coitado) é muito menor do que ele perdeu pra conseguir postar isso... Qto trabalho! 

 

O telefone havia tocado uns cinco minutos antes, quando ele estava deitado numas almofadas sob a janela. Não estava dormindo, absorto em pensamentos confusos sobre passado, presente e futuro quem sabe, ele atendeu ao telefone com uma naturalidade pouco comum pra quem estava deitado. Disseram-lhe algumas grosserias e ele desligou mal humorado se colocando de pé num segundo, como se não tivesse cochilado. Estava um calor desgraçado na cidade e se abrir à janela não ajudou muito, pois não estava ventando, o copo de água com gás o refrescou um pouco. Pensou em dar uma volta e comprar uns presentes. Ultimamente, hoje inclusive, estava fazendo transferências de cá pra lá a fim de pagar umas dívidas e sustentar seus pequenos luxos. Agrada-lhe muito de comer fora e observar as pessoas caminhando pelas ruas, se diverte sendo uma espécie de turista da própria cidade observando as características daqueles que transitam, parecem tantos e tão diferentes, mas na essência tudo é a mesma coisa. A cidade vai se sobrepondo e edifícios ocupam o lugar que já foi de uma casa, bairros crescem e sobrepõe os antigos vilarejos e o que já foi o banco duma praça onde os casais namoravam, hoje é um pedaço de calçada exprimida numa grande avenida cercada de muros pichados e matinhos, por sinal, muito mal cuidados. Escapa-lhe um resmungo ininteligível e o sentimento de que já não há sentido de fazer parte disso, não há espaço pra ele em meio às barreiras de concreto com altura de sabe-se lá, talvez duzentos, trezentos metros que se assemelham a muros gigantes arquitetados por criaturas bestiais, que não tem qualquer padrão estético e senso histórico. São como pilhas de revista velha empinhocadas umas ao lado das outras, igual viu numa exposição, cobrindo todo território: pobre cidade, é a desgraça dos desgraçados que a merecem. Quem tem grana se afasta, vem a trabalho e sai assim que possível. Outros vivem e trabalham por aqui e assim que dá, qualquer feriadinho, partem a algum refúgio. Ainda existem outros casos, mas não interessam nem um pouco, o fato é que a cidade é o limbo, um lugar sujo habitados por fantasmas e desalmados de todas espécies que desejam paz, mas não podem ou conseguem fugir.

 

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Escrito por Bruno F. Goldgrub às 21h00
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O reflexo azulado nos largos espelhos do prédio no ínicio da Avenida dá boas vindas aos passantes... Poucos anos atrás o prédio era um colégio tradicional e apesar dele continuar lá, soterrado nos escombros, o dito mesmo colégio já não existe, é apenas um fantasma na cabeça dos velhos estudantes que choram ao passar em frente ao gigantesco esqueleto / painel de de lâminas azuladas: o prédio roubou, pobrezinhos, a infância desses homens e não há nada que se possa fazer a respeito (já ouvi dizer que alguns morreram de desgosto). Nessa cidade as pessoas nunca passam dum estado de ser   multifacetado e são apenas uma forma de presença transitória, nunca nada antes e depois disso. A vida na cidade é pura invenção e transitar por suas ruas e avenidas é a falsa religião de dementes que dizem que isso é maravilhoso. Vamos, não há nada de admirável nesse constante rearranjo caótico, basta abrir os olhos, quase sempre velados pela visualidade, e perceber que não há identidade nesse conglomerado de coisas, fatos e acontecimentos... as imagens e os postais dos poucos lugares que podem ser chamados de “tradicionais” (e não me chamem de moralista, cães!) não podem salvar a alma dessa cidade que não se sabe o que é ou o que está por vir, apenas o que foi um dia... Aproveite esse seu apego, temporário e quase irreal, antes que ele se torne uma antiga lembrança... 

 

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Pobre da casa das rosas, os jornalistas a classificam como a convivência pacífica entre o passado e o presente, uma consagrada análise raza, como (quase) tudo que os jornalistas fazem, análises razas e bestiais, um passar de olhos. Olhe que extraordinário, você pode dar um passadinha lá antes de ir pro escritório e tomar um café ignorando que o prédio acabou com a casa fingindo que ambas convivem em harmonia, la naturaleza de la ciudad... natural seria deixar as coisas envelhecerem e cuidar delas como são. Já aqui a impressão de atemporalidade parece contagiar a alma apodrecida dos mandachuvas que precisam erguer pedra sobre pedra pra afirmar a própria existência, difundindo e contribuindo com o vírus que apodrece e contagia a cidade com uma tremenda falta da falta de identidade; uma cidade com espírito moribundo, mas idealizada pelos carcomidos fungos dos midiáticos e pré-cambrianos intelectuais que se denominam semiólogos. Ótica de cego, tiram-lhe a lupa e eles já não podem ver... procuram palavras conceituais pra definir o que está em frente aos olhos, o velho abandono e o cheiro de merda.

  

Escrito por Bruno F. Goldgrub às 20h59
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Palavras cruas e simples, palavras diretas que atacam qualquer gastrite nervosa- que a  poluição cubra a luneta desses deslumbrados. E você, que apenas escuta, esqueça esse papo de que a cidade abriga todos e oferece oportunidades, isso soa como realismo fantástico, essa cidade só tem histórias antigas, a cidade é apenas uma lembrança e pode ser contada e entendida, até certo ponto, pelo que ela já foi: o pátio que a originou, as mãos dos migrantes que a construíram, a cabeça dos imigrantes que a idealizaram, a terra dos despatriados, mas tudo isso já passou, são histórias, hoje é coliforme fecal e cimento, camadas delas. Hoje todos se dizem patriotas, soldadinhos, mas deixem disso, que patria você defende? Aqui quem manda são os papéis dobrados dentro das carteiras e isso não é mitologia. A cidade é o caos institucionalizado.

 

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Fiquei pensando o dia inteiro que eu queria que todas pessoas fossem pequenas baratas e eu as pudesse esmagar com a ponta dos meus pés e cara de asco - bem nojentinha - pra ouvir aquele barulho de crosta se rompendo e ver gosma se espalhando e então eu estaria me divertindo. Queria ter uma britadeira gigante e um tratorzão pra passar em cima dos prédios e avenidas e esmaga-los até que se tornassem pilhas de pedras pra colocar tudo num enorme saco de lixo e levar pra bem longe. Então a cidade voltaria a ser apenas um monte de terra fértil, pronta pra ser reconstruída e eu colocaria bondinhos, casinhas e faria tudo conforme meu gosto, com praças, árvores e espaço pra ver o horizonte. Numa ponta mais afastada, apenas ali, eu abriria o saco e permitira que fosse reconstruído o excremento que era a cidade só pras pessoas poderem ver o que era àquilo, eca, a substância danosa que foi essa cidade que eu contei, e ela seria regida pelos mesmos imbecis que gostavam dela desse jeito que é. Já as pessoas seriam eternamente gratas ao grande Deus Zebu que as ofereceu a oportunidade de redenção, tendo a alma purificada só de apreciar as mudanças. Na velha cidade caótica viveriam os executivos, políticos e especuladores imobiliários, além de alguns semióticos deslumbrados; já aos jornalistas seria permitido viver na boa cidade, não porque sejam dignos, mas porque eles precisam das coisas pra se deslumbrar, assim como alguns outros semióticos felizes. Através dos anos o povo - o povo, gente de verdade - criaria histórias espetaculares sobre o dia em que re-originou a cidade e criariam uma fábula própria, um folclore rico e canções que atravessariam o oceano e despertariam o interesse dos estrangeiros por essa cidade e sua história fascinante e praticamente inacreditável... histórias que estariam presentes geração após geração contadas pelos velhos e registradas em pequenos livros, canções, difundidas em festas regionais e sarais e haveria muita coisa preservada, integrada e isso não daria lugar à prédios na troca de gerações. A vida seria melhor, as pessoas mais saudáveis e existiria uma unidade e uma identidade nisso tudo que chamam de cidade... não haveria  caos, a fragmentação e todas esses problemas como tônica e assim a cidade e seus habitantes não se afastariam mais e mais do próprio espírito após cada dia.



Escrito por Bruno F. Goldgrub às 20h50
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