
Saturday night, Sunday Morning.
Bom, já faz tempo que eu quero reformular isso aqui |which means esse blog |. Não me agrada mais publicar nesse espaço, tá parecendo o meu quarto, eu não aguento mais, não tem qualquer relação com minha vida. Mas como o quarto não posso mudar agora, aqui jaz esperança. E to providenciando. Em breve, em breve.
Essa foi à única conclusão sensata que eu consegui chegar e seria o post, mas já que falei em mudanças, oh sucks, estou com 90% |sendo bem otimista| da minha vida fora do lugar. O que talvez não seja de todo mal, isso é, dizem |eu também costumava dizer| que as crises são oportunidades raras de se reorganizar, entender o mundo de outra forma, buscar outros ângulos, bla bla bla. Mas, see, essa informação é tão patética quanto te pedir “calma” e você, além de balançar a cabeça - sim sim sim - realmente se acalmar. Isso só funciona pra pessoas idiotas ou guros orientais; e se esse for seu caso, me ensina, me ensina por favor.
Ontem, conversando com um amigo, me queixei que não consigo me concentrar e produzir com essa crise... ni músicas, ni textos, ni roteiros, ni nada. Basicamente “vivo num mundo desinteressante”, mas claro, o mundo sou eu. E não há muito a se fazer agora, gira mundo, gira... Paciência, conversas, noites de cachaça e jazz |uma mistura muito interessante| , alguns desenrolos no campo “eu e mulheres, as mulheres e eu”, mas enfim, nenhuma novidade exacerbante, oh god. Disse-me esse rapaz, “você não tem quarenta anos, não precisa se preocupar em concluir qualquer coisa dessa crise, vive ela e pronto. Parabéns, aproveita”. O comentário soou como a médica me dizendo, anos atrás – parabéns, você está com catapora. Ela sorriu, eu quis a enforcar. Mas ambos estão certos - assopro, assopro, assopro - terrível.
Outra conversa interessante foi sobre talento, ganhar dinheiro com arte, essas relações complicadas que venho pensando há dias. É outra parte da crise – Será que realmente presto pra isso que chamam de arte? Digo... o que torna meu texto atrativo, o que tornará meu cinema diferente, etc´s? Posso ganhar dinheiro com isso? Parece cú doce, mas quando você sabe que tem longos anos pela frente e muitas contas a pagar, não é tão assim.
- Pappi, quero ganhar grana fazendo o que gosto.
- Soooon, esse campo de atuação é complicado.
Ok.
Olhe, pensando bem cheguei aos pontos cruciais
- Serei algum dia “relevante” para o mundo? |sobre talento e reconhecimento, afinal|
- Posso trabalhar com o que me dá prazer e ao mesmo tempo pagar as contas?
- Pappi, serei amado por alguém que me queira incondicionalmente?
Bom, a ultima está deslocada, a primeira eu realmente não saberei responder até o momento certo - assopra, assopra - e a segunda, well, o que devo, posso e quero fazer é correr atrás dos meus sonhos independente dos resultados. É a ultima das horas de total descompromisso que me restam, é a grande chance que tenho, aproveitarei e quem sabe.
No fim essas são respostas provisórias, a verdade é relativa, oqui-doqui oqui-doqui, e só me resta jogar a moeda e correr atrás dela. As perguntas são as motivações, a busca a realização e do resto não quero saber. O que interessa o resto?
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 14h21
[]
[envie esta mensagem]
|
Então - talvez eu não ganhe tanta grana- mas de repente, se for reconhecido serei feliz. Por outro lado- ganhando ou não alguma grana – talvez eu não seja reconhecido, seja apenas mais um |não lhe parece óbvio que somos todos apenas mais um?| e acabe frustrado. Imagina, posso até virar um crítico insuportável. Argh. Tem final pior pra alguém que se julga cool virar um mero crítico? Os ideais, norte; você, sul. Medo, medo, medo. Mas enfim, a porta só está aberta pra você |Kafka, O Processo|. Ou: solidão, ou faz você, ou. |Esse final de texto está confuso, não?|.
... Humn. No fim você pode encarar a arte, a literatura, o cinema e a música como campos funcionais pra ganhar a vida, pagar as contas e quem sabe ir pra algum congresso em Paris de vez em quando - ok, é a mais pura verdade - mas eu ainda acredito no nobre ideal da arte mudar o mundo e continuo buscando isso. De qualquer maneira, se no fim for preciso queimar livros pra não morrer de fome, o que há de se fazer? Essa foi à resposta que o Pablito |do nariz de cera| me deu - a vida mundana é só isso - e ele está certo. Mas quando eu escrevo tento fugir do só isso e continuarei tentando, lá lá lá. No fim |mais uma vez “no fim”| quem dirá se meu trabalho tem ou não alguma relevância não sou eu |pra mim sempre terá, ao menos isso| e basicamente o que posso fazer é tentar, |me| expor essas tentativas e estar preparado para carinhos na nuca ou cuspinhos na cara. O resto, kiddo, é incerto. Do your job e saiba defendê-lo.
Ainda há muito, mas não por hoje. Por hoje é só. Ayer, ayer tuve saudade |isso só posso dizer em português|.
Hasta despues.
trilha sonora: Hold On |Tom Waits|
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 14h21
[]
[envie esta mensagem]
|